MODERNIDADE E IDENTIDADE CRISTÃ

 

INTRODUÇÃO

 

A igreja cristã está diante de um mundo cada vez mais envolvente e tentador. O progresso e a conseqüente modernidade tem afetado direto e indiretamente a igreja brasileira de um modo geral. Esse envolvimento é percebido através do comportamento de jovens e adultos. O mundo exterior  está se introduzindo no seio da comunidade cristã, a cada dia atingindo a toda igreja  independentemente de idade e sexo.

A sociedade está caminhando a passos largos por um caminho que não sabe onde vai dar. Só as gerações futuras saberão o que a sociedade os outorgou. Nos parece, que não receberão hereditariamente uma herança digna, que possa expressar todo o valor do ser humano feito à imagem e semelhança de Deus.

Os valores éticos e morais foram abalados e estão sendo deixados de lado. Nada mais significam, e o que é pior, há uma acentuada inversão de valores em curso na sociedade moderna. Dentro deste contexto, observamos que práticas erradas e pecaminosas, estão sendo absorvidas sutilmente pela igreja, sem questionamento e sem molestação ou sem serem criticadas à luz do conhecimento da Palavra de Deus.

É como se fosse um modismo natural ou comum, que pouco a pouco vai sendo incorporado aos costumes e hábitos cristãos. Não há nenhum outro evangelho ou revelação além do que está exposto na Bíblia Sagrada. Nada podemos acrescentar para mudarmos as regras do jogo ou virarmos a mesa, como é mais comum nos meios esportivos ou darmos o famoso jeitinho brasileiro, que se adequa a todos os seguimentos da sociedade, como se pudéssemos mudar a revelação de Deus que está em Cristo Jesus.

Estas idéias e práticas, estão sendo inseridas em nossa cultura em doses homeopáticas. No do dia a dia entre estudantes e professores nas escolas e universidades, no convívio e companheirismo nas amizades de rua. Com os vizinhos, por intermédio dos próprios pais e principalmente pela televisão, pelo rádio, cinema, jornais, revistas, serviços de sexo via telefone e ultimamente via Internet.

A igreja não tem se dado conta de que está havendo uma mudança nos hábitos e modos de vida das pessoas, como conseqüência do modelo sócio-cultural em que fomos mergulhados pela sociedade moderna.

Vamos abordar as questões básicas desse envolvimento, sem desejarmos esgotar este assunto, e veremos então como ele se dá na sociedade em que vivemos e o modo como poderemos superar todo o envolvimento da igreja com o mundo.

Devemos ter empatia e devemos nos identificar com o mundo em seus problemas, suas aflições, suas angústias e suas ansiedades, sem contudo compartilharmos com ele de seus pecados e das abominações de Canaã, porque sabemos que está reservado para o fogo eterno porque tem se esquecido de Deus. Na oração que Jesus fez por seus discípulos, pediu ao Pai que não tirasse os discípulos do mundo, mas que os livrasse do mal. E o mal é esse que está estampado aos nossos olhos e aos nossos ouvidos. Há um perigo constante que nos cerca e há tentações que nos rodeiam. Embora estejamos debaixo da graça ela não nos basta, porque o mundanismo está atingindo a todos sem clemência, crianças, adolescentes e jovens neófitos, estão ficando à margem da comunhão com Deus e da benção que Ele prometeu a Abraão quando disse: - “... em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gen 12:3).

Não vamos dar ouvido à serpente e sermos enganados por ela assim como fez com Eva no jardim do Éden, dizendo: - "É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?" (Gen 3:1). Não, isto não é verdade, não foi assim que Deus disse, logo havia uma exceção. A mesma que ainda existe hoje à luz do Novo Testamento “Rogo-te que não o tires do mundo, mas os livre do mal”. E, mais, “...posso todas as coisas mais nem tudo me convém”, disse o apóstolo Paulo.

É esse equilíbrio, e é essa a maturidade que Jesus espera de sua igreja, para que possa vencer o mundo, do mesmo modo como Ele venceu, crescendo a cada dia até atingir a meta e o objetivo maior que é tornar-se perfeita à estatura de varão perfeito que foi Cristo, “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:27).   

 

MORAL E ÉTICA

 

As relações entre pais e filhos estão tumultuadas, já não existe mais respeito, nossos filhos disputam a autoridade tanto quanto nós mesmos. Por mais que eu tenha lutado e por mais que eu tenha me esforçado não consegui proteger meus filhos das influências externas. Isto nos trás um sentimento de culpa, por pensar que falhamos quando isso não é verdade.

Nos sentimos impotentes, porque apesar dos esforços não conseguimos evitar a contaminação com o meio exterior. É verdade que nem tudo está perdido. No seio da família existem lutas e aborrecimentos constantes, mas em função da Palavra de Deus as coisas ainda são suportáveis.

E o que é que a igreja de Cristo tem feito para intervir na sociedade de modo que possa rever suas posições?. Onde estão os nossos profetas? Será que já não temos mais quem fale aos nossos governantes e às autoridades constituídas?. Muitas vezes estamos dizendo vamos orar, vamos orar, mas nada mais é feito senão orar. E se o Senhor estiver dizendo como o fez com Moisés: Moisés o que estás esperando diz ao povo que marche.

Os que detêm o poder para questionar toda a miséria e o lixo que prolifera nada fazem e nada podem fazer, porque são habitantes vizinhos de Canaã. A nossa justiça já não existe mais no sentido original da palavra, porque é parcial, é alienada e impotente, busca satisfazer os desejos do sistema e dos poderosos.

Todos estes fatores tem levado nossa pátria por um caminho em que parece só existir a ida. O caminho pelo qual a nossa sociedade se embrenhou parece que não tem retorno. Parece com as estórias de saci-pererê, que fazem parte da cultura mística e de ocultismo de grande maioria de brasileiros, onde se conta que, - “as pessoas que vão caçar nas matas entram por caminhos e depois se perdem, não encontrando a saída,  porque todo o mato se fecha atrás do caçador que não percebe que foi envolvido pelo engodo do tal saci-pererê”.

Similarmente a estória do caçador, não seria um caso parecido com o que está ocorrendo com a nossa sociedade?. Não estaria ela indo à caça de modernidade? e não estaria ela se perdendo por um caminho, em que cada vez mais que se embrenha no mato ele se fecha atrás. Bem que podemos atribuir ambas situações ao saci-pererê, príncipe deste mundo como disse Jesus. 

Todos nós estamos expostos e vulneráveis à modernidade que veio para ficar e que cresce a cada dia em escala cada vez maior, deixando à igreja contaminada com o vírus do fim dos tempos ameaçando a sua natureza e o seu significado diante do mundo.

Jesus advertiu: - ”...Quando porém vir o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Luc 18:8). Precisamos de líderes autênticos e totalmente comprometidos com o ensino da Palavra de Deus, para que possamos encarar todos estes problemas de frente e de cabeça erguida. Mas o que temos visto muitas vezes são líderes perplexos e ao mesmo tempo impotentes, para apontar caminhos para pastos verdejantes e águas frescas para o rebanho de Cristo, que está cada vez mais faminto e sedento de palavras que possam alimentar a sua fome e matar a sua sede, encorajando-os diante de um mundo cada vez mais envolvedor. 

A modernidade trás em seu bojo uma infinidade de propostas que inicialmente envolvem os mais descuidados e os mais ingênuos. Estes se tornam presa fácil, de novos conceitos e idéias que não tem compromissos com a verdade e não estão respaldadas na Palavra de Deus.

O autor da Epístola aos Hebreus diz que a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Heb 4:12). Por que não buscamos o dom do discernimento através do conhecimento de Deus e de Sua Palavra?

Eu creio que uma das formas de enfrentarmos a modernidade é fazendo com que a igreja se torne tão forte quanto foi idealizada por Jesus, que profetizou dizendo para Pedro: - ”Pois eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat 16:18).

O envolvimento da igreja com a modernidade acabou por desestabilizá-la tanto na Europa como nos Estados Unidos. Foi mais uma questão de apostasia de grande parte dos cristãos, mas estou certo de que uma boa parte desta igreja se manteve fiel aos preceitos do Senhor, do contrário teria sido em vão todo o propósito de Cristo na cruz. E, Jesus não comprou uma igreja com dinheiro, nem com prata, nem com ouro, que são valores do nosso relacionamento humano. Mas, comprou com o seu próprio sangue para Deus. Diz o Apocalipse de João: - “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas na suas mãos” (Apoc 7:9) Jesus prometeu estar com a igreja até a consumação dos séculos (Mat 28:20).

O problema está com parte dos seguidores de Cristo que não querem compromisso maior com Ele. É então, uma questão de infidelidade à pessoa de Jesus que deu a sua vida por todos nós.

Devíamos pregar mais sobre o testemunho e o exemplo de Daniel que não se corrompeu, nem se contaminou com as delícias do cativeiro, antes fez um voto, ele e seus amigos de se manterem fiéis ao Senhor. Foi atirado na cova dos Leões mais Deus o salvou, contudo jamais deixou de se prostrar para orar ao Deus de Israel. Dentre os cativos de Israel há o exemplo de Daniel e de outros cativos hebreus que jamais se corromperam. Devemos pregar sobre Éster. Ela não aceitou a derrota, nem o extermínio de seu povo. Antes conclamou um jejum e Deus deu-lhe a vitória. Devíamos pregar mais sobre José que não se deixou levar pela cantada da mulher do Oficial Egípcio e não se deitou com ela. Foi duramente provado, mas foi aprovado por Deus que lhe deu vitória.

Devemos pregar mais sobre o domínio e a posse de Canaã, principalmente sobre a orientação que o Senhor deu a Moisés quando disse que os filhos de Israel não deviam se contaminar com as abominações dos vizinhos de Canaã. “Guarda-te, para que não esqueças o Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. O Senhor teu Deus temerás, a ele servirás, e pelo seu nome jurarás. Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti” (Deut 6:12-14).  

  O que nos consola é que existem líderes cristãos que tem se preocupado com essas mudanças que tem afetado a igreja de Cristo. As igrejas estão se tornando frias. As pessoas estão cada vez mais isoladas, não querem compromissos com Deus, não oram, não lêem a Bíblia, não fazem visitas, não participam dos cultos, não vão à igreja e boa parte dela está se deixando levar por todo vento de doutrina que aparece.

O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo advertiu: -”Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (I Tim 4:1). Estes tem sido na verdade como a moinha que o vento espalha. Em torno de Canaã tem muita ventania, tem muitos furacões, e olhe que o Senhor avisou através de Moisés, mesmo assim as pessoas se deixaram ventilar. É como diria o nosso Elias Brito Sobrinho, - “me engana que eu gosto e assim enganado foram indo cada vez mais longe, até se embaraçarem completamente, de modo que o castigo da dispersão e o cativeiro por mais de uma vez, se tornaram remédio e foram métodos usados por Deus para corrigir o Seu povo. Isso os devia levar à reflexão e a pensar, e foi o que por certo o fizeram, senão vejamos o Salmo 137: - “Junto aos rios de Babilônia nos assentamos e choramos lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros, que há no meio dela penduramos as nossas harpas. Porquanto aqueles que nos levaram cativos, nos pediam uma canção, e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. Mas como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha? Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se à minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria”.

Creio que o primeiro passo que a igreja deve dar para enfrentar a modernidade, é traçar o diagnostico e se conscientizar de que o problema existe. Quer dizer: o paciente deve se conscientizar ou deve estar consciente de que está doente e que precisa do atendimento médico. Sem esta conscientização dificilmente o paciente vai se expor a um tratamento que restituirá a sua saúde. Deste modo devemos trabalhar no sentido de conscientizarmos as nossas igrejas, para o perigo da modernidade a que estamos todos expostos e que é preciso a conscientização e o arrependimento, para que seja restaurada a aliança do primeiro amor com Deus o nosso Pai.

A pluralização, a privatização e a secularização tem sido os instrumentos envolvedores da modernidade, que já atingiu gravemente o cristianismo no continente Europeu e igualmente devastou os Estados Unidos da América.

Nestes dois mil anos do Evangelho, nada atingiu a igreja cristã tão acintosamente como o envolvimento com a modernidade. As pessoas têm uma gama de ofertas para escolher à vontade em todos os seguimentos de atividades comerciais, sociais, culturais e religiosas. Existem igrejas para todos os gostos.

A mídia por sua vez tem dado lavagem cerebral de massa, que é medida através das pesquisas do Ibope. Quando o Ibope dá alto significa que a maioria dos telespectadores estiveram expostos a esta lavagem cerebral.

O produto da nossa mídia tem sido a corrupção generalizada, que dizer: corrupção moral, ética, social, econômica, incutindo nas mentes desavisadas novos valores que invertem os valores antigos, provocando o que chamamos de inversão de valores.

Deste modo caminha a nossa sociedade. As novelas são um apelo constante a promiscuidade, ao homo-sexualismo, ao adultério, à mentira, ao engodo, à desmoralização da religião cristã, aos ensinos do ocultismo, do espiritismo, da bruxaria, da desobediência generalizada, da separação dos casais e consequentemente a desagregação da família e de uma porção de porcarias que passam todos os dias a qualquer hora e em qualquer canal. 

Nossos lares são invadidos diariamente pela mídia sem a nossa permissão, porque não temos direito à escolha. Nossos filhos menores não respondem por si perante à justiça, não são menores no entanto para lhes ser ensinado toda a corrupção do ser humano que passa todo dia pela TV.

Quem vai exercer a censura dentro de nossos lares se nós nem sempre vamos estar lá, mas o certo é que nossos filhos lá estarão. Os filmes tem mostrado a sexualidade com cenas explícitas em plenas tardes brasileiras de verão à inverno de outono a primavera, e ainda tem os especiais das férias para as crianças e adolescentes em frente às nossas tevês. Nunca se viu tantos filmes violentos com assassinatos hediondos e torpes de toda a ordem.

As vezes me detenho a passar canais de tevê procurando algum programa que possa assistir e não raras vezes encontro filmes violentos em que alguém sempre vai estar com uma arma em punho pronto para matar. Muitas vezes isto acontece em mais de um canal ao mesmo tempo. Se alguém tiver dúvida que experimente fazer a mesma coisa passando canais. É simplesmente uma afronta, um horror, violência, armas, sangue, morte minuto a minuto, e isto em mais de um canal. Os filmes eróticos estão também associados à violência. Outros apelam ao ocultismo, a vampiragem e ao terror.

Como estão sendo formados os homens e mulheres do futuro? emergidos de filmes de terror, de filmes de violência, de magia, ocultismo e vampiros. De cenas de sexo explícito que crianças e adolescentes muito prematuramente têm que encarar, sem mesmo saber do que se trata e se sabem do que se trata, não sabem como fazê-lo, nem porque fazê-lo, nem reúnem condições para fazê-lo, nem calculam os riscos que correm. As cenas de sexo tem sido um apelo aos jovens, que tem se atirado a ele como quem se dirige para uma miragem no deserto.

A ansiedade é uma doença emergente da modernidade tendo no sexo um de seus grandes aliados, porque o apelo é feito a todo o momento tanto em programas como em comerciais. Até mesmo na música popular, onde se ouve aquele som típico de casais apaixonados na cama.

O sexo sempre teve e vai sempre ter o seu devido lugar para todos os homens e mulheres, com exceção dos que fizeram voto de castidade ou de celibato, e os que ficam para a titia como se diz na linguagem popular. Os jovens vêem coisas que são fantasias ou ficção, havendo na verdade um grande caminho a percorrer entre o apelo e a concretização do fato; entre o conhecimento teórico e a sua concretização na prática.

As coisas não acontecem assim tão fácil. Não se compra um homem ou uma mulher enrolado em papel de presente. Há muita coisa que deve ser observada. Há uma ética, uma moral e uma geração para ser zelada por nós, que somos a Igreja de Cristo, porque a sociedade não está nem aí para o que está acontecendo com o povo. É assim que os jovens se precipitam e caem no abismo.

Minha filha mais nova, de 13 anos que estuda em uma Escola Classe na Asa Norte, nos contou que dentre as suas colegas de sala, existem duas garotas que estão grávidas e uma terceira que foi estuprada por um parente. Isto só em uma sala de aula; imagine nas demais salas de aula desta escola; imagine nas demais escolas do Distrito Federal, e como não deve estar as nossas Faculdades, e a nossa Pátria como um todo.

Isso é simplesmente alarmante. Nossas adolescentes estão se tornando mães de filhos bastardos cujos pais são adolescentes inexperientes ou imaturos. Ou são vítimas de criminosos em potencial, aproveitadores, estupradores e maníacos sexuais. E nessa corrida para o sexo, muitas mães, nem mesmo sabem quem são os verdadeiros pais de seus filhos. Por outro lado a Aids não estar perdoando mesmo. Todos estão propensos a se tornarem aidéticos em potencial, fora outras doenças também transmissíveis por causa da falta de higiene e da ignorância. E o que dizer da crise psicológica que envolve todos eles para o resto de suas vidas. O que dizer das seqüelas que ficam como cicatrizes de feridas que nunca se apagam.

O que dizermos da campanha contra a Aids do Ministério da Saúde, quando um sujeito conversa como seu próprio sexo. Na verdade esta campanha tem sido grande motivadora para a promiscuidade, do tipo tem uma aqui e tem outra ali me olhando, e se você for brincar lá atrás não se esqueça da camisinha... e mais você vai ter que encarar umas tantas mulheres, etc e etc. É um absurdo!, porque não se faz campanha para o povo parar de adulterar. No carnaval são distribuídas milhares e milhares de camisinhas para o pessoal transar à vontade. Há pessoas que estão se prostituindo e adulterando só para ver como é usada a camisinha. Ou porque se acha seguro de que não ficará grávida. Ou, porque perdeu o temor de pegar Aids.

Só tem uma coisa, o Ministério da Saúde não avisa que de vez em quando a camisinha estoura e o caldo entorna, e lá se vai a segurança para o brejo. Mesmo se tivesse toda esta garantia a contaminação sempre poderá acontecer e será eminente. Os cuidados terminam ficando de lado e o contato ou contágio acaba por se estabelecer.

E, os avós coitados, que se tornam pais de filhos bastardos, que se entregam ao sexo prematuramente, sem nenhuma maturidade e compromisso para com a família, acabam também por se tornarem avós de netos bastardos, cujos pais não tem condições de criá-los, ou elas entram pelo caminho do aborto, ou entregam os seus filhos para doação, ou a uma creche para criá-los.

A mídia brasileira tem sido instrumento de desagregação da família nacional, em todos os sentidos. É o maior poder do país, tira presidente e põe presidente. Antes os poderes eram o executivo, o judiciário e o legislativo. Agora temos um maior que estes três que é o poder da comunicação o poder da mídia. A mídia tem acesso a todos os cantos e recantos de nossa pátria, tem feito denúncias tremendas, tem derrubado presidente e ministros, políticos do tipo Ricupero que era sem escrúpulos, que o diga Monfort, que está aí bem na dele, contudo a alguns meses atrás foi instrumento de queda deste Ministro. Que o diga os anões do orçamento. Só que nunca acontece nada com eles.

Esta mesma mídia que por um lado é moralista por outro prisma é totalmente imoral. Parece o tipo do homossexual que se denomina de gilete porque usa os dois lados. Assim diríamos que a mídia brasileira, é homossexual, lésbica, criminosa, traidora, infiel, profana, ladrona, assassina, prostituta, mentirosa e outros pecados mais, porque tem ensinado todas essas práticas à toda sociedade, entra dia sai dia, em todas as horas e em todos os momentos, abertamente e ninguém faz nada.

E o que será da nova geração, que está sendo criada nas creches por pessoas que por mais que se esforcem para satisfazer as crianças, jamais poderão substituir as suas mães e dedicar-lhes todo o carinho e o amor que só a mães podem dar.

E o que diremos de uma geração que já não conta com os pais no ambiente familiar. Filhos de pais separados que vivem ora com as mães ora com os pais. O que esperamos de uma geração que foi criada por enteados e enteadas. Vi um caso recente muito interessante. Uma mulher separada tinhas duas filhas e casou-se ou amancebou-se com um homem que por sua vez tinha dois meninos, assim quatro irmãos de pais e mães diferentes, convivendo no mesmo lar. Estes irmãos por parte de pai ou mãe podem até se casar se quiserem. Nada tem a ver uns irmãos com os outros, porque não são consangüíneos. Isso é, se chegarem ao casamento. Porque podem até levar uma vida de total promiscuidade porque estão todos vivendo no mesmo lar, no mesmo quarto ou até mesmo na mesma cama sem o devido acompanhamento por parte dos pais de criação. Qual o compromisso desse que agora está no lugar de pai para quatro filhos, se as meninas por exemplo não são suas filhas. Da mesma forma a mãe nada tem a ver com os meninos, desse modo poderão no futuro manter relações íntimas da mesma sorte. A verdade é que nada se espera de um lar deste tipo, que devia ser um lugar de aconchego, de paz de amor fraterno, de equilíbrio emocional e espiritual. 

E o que serão destas crianças ainda que superem os problemas a que estão propensos como citamos. Creio que serão crianças, adolescentes, jovens e adultos, órfãos por toda à vida. Os valores de família são insubstituíveis.

E o que dizer da separação dos casais, que se tornou algo tão comum e vulgar em nossos dias.

Perdi meu pai aos 15 anos de idade, e desde que ele se foi ceifado pela morte sinto a sua falta. A família é a célula máter da sociedade. Os pais são instrumentos do Senhor para dar o equilíbrio necessário para toda a existência humana, e os filhos são herança do Senhor. Mas o que a sociedade está fazendo com a herança do Senhor?

E, o que diremos dessa geração que está sendo criada pela televisão que tem sido a babá incondicional. Crianças e mais crianças aos milhares são diariamente entregues aos cuidados dos canais de televisão, sem controle e sem censura, tornando-se cada vez mais violentos, rebeldes, desobedientes, irresponsáveis e irreconciliáveis. 

É muito triste dizer mais as profecias do apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo estão se cumprindo literalmente: - “Sabe porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães ingratos, profanos. Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te, porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscência; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (II Tim 3:1-7).

Não seriam estas profecias para os nossos dias? E esta carta não está implicitamente dirigida a nós. - “E ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolo: Que faremos, varões irmãos? (Atos 2:37)”. Será que o mundo não estaria diante da igreja também a fazer a mesma pergunta?. Que faremos varões irmãos?. Assustado pelos fatos que acontecem todos os dias, e em face da degeneração e da desagregação da nossa sociedade, não estaria olhando para a Igreja de Cristo como a única esperança, como uma luz no fundo do túnel, sendo na verdade o sal da terra e a luz do mundo?. Será que a igreja não estaria pronta para responder esta pergunta?. Se a igreja não está pronta para responder. Vamos levar adiante a nossa bandeira. Vamos clamar ao Senhor. Para que Ele nos capacite para a sua boa obra, porque se não somos o sal da terra, para que serviremos nós, como Jesus mesmo disse, somente para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.  

E os homens já não estão nos pisando? A Igreja de Cristo poderá ser envolvida pela modernidade, assim como se envolveu durante toda a sua existência com problemas de ordem social, cultural, política, econômica, religiosa e principalmente nas questões teológicas, com Reis, Imperadores, e governantes de toda a ordem, mas uma coisa nos consola e conforta. Ela  jamais será vencida, como nunca foi vencida e como nunca foi exterminada.

Pode ocorrer de muitos perecerem no deserto neste êxodo do Egito por causa do pecado e das abominações ao Senhor. Mas, lembremos que uma multidão entrou em na terra prometida, em Canaã, isto porque nem todos pecaram, nem todos cometeram abominações no deserto. Moisés que foi o grande líder do Senhor não entrou por causa do pecado. Ora, se muitos entraram foi porque não pecaram contra o Senhor. Não agiria o Senhor com a mesma justiça que agiu com Moisés? Assim, há um sem número como João viu em sua visão apocalíptica: “E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graça” (Apoc 5:11).  

 

CONCLUSÃO:

 

O único meio de vencermos a modernidade é através da Palavra. Que deve ser ensinada sob a orientação do Espírito Santo de Deus, do mesmo modo que Deus ordenou a Moisés que ensinasse aos filhos de Israel antes de entrarem em Canaã. “Houve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás pois o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado à tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levando-te. Também se atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deut 6:4-9). A igreja precisa gozar de santa comunhão com Deus, na leitura da Palavra, na oração, no jejum, e no sacrifício vivo de louvor, dando ao Senhor toda honra, toda glória e todo o louvor, e finalizo com o texto de Romanos 8:37, que diz: - “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”.

 

Augusto Bello de Souza Filho

Bel em Teologia

 

BIBLIOGRAFIA:

 

- AMORESE, Rubem, Icabode: Da mente de Cristo à consciência moderna. São Paulo, AbbaPress, 1994.

- AMORESE, Rubem. “Dá Licença?! Reflexões sobre Modernidade, Ética e Igreja”. In: AMORESE, Ed. A Igreja Evangélica na Virada do Milênio: A Missão da Igreja num País em Crise. Brasília, Comunicarte, 1995. pp. 255-272

-AMORESE, Rubem. Canaã 2000. Brasília, Comunicarte, 1994.

-BERGER, Peter; KUCKMANN, T. A Construção Social da Realidade. Tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis. Vozes. 1990. 8ª ed. (Principalmente Introdução e Capítulo 1).

- BEGER, Peter L. O Dossel Sagrado. Elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo. Ed. Paulinas. 1985. (Pricipalmente capítulos 1 e 2).

-CAVALCANTI, Robinson. “Os Anglicanos” e a Bíblia. Ultimato, julho/1995.

-Guinness, Os. “Cuidado com la Boa!”. In: NEIGHBOUR, Ralph W. (Compil). La Iglesia del Futuro. 1ª  ed. Rio de Janeiro: Casa Bautista de Publicaciones, 1983. pp. 56-83.

 

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