HEBREUS, CARTA OU SERMÃO?

 

A exemplo da controvérsia em torno do autor desta epístola que tem ficado apenas no campo das suposições, muito se tem questionado se ela se trata verdadeiramente de uma carta ou de um sermão. Nas pesquisas que realizei não encontrei nenhuma teologia convincente acerca desta questão. Estou convencido de que trata-se de um sermão com um tratado teológico profundo acerca de questões que envolviam a tradição judaica e o desejo de judeus convertidos desejosos de voltar a suas antigas práticas.  Como sermão, o livro não tem a introdução costumeira da maioria das epístolas do Novo Testamento, que iniciam com um endereçamento como aconteceu com o Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, ambos encomendados por um tal de Teófilo e redigidos por Lucas.

As cartas de Paulo tanto as pastorais como as eclesiásticas ou cartas as igrejas Neo-Testamentárias, continham tanto as saudações iniciais quanto as saudações finais, bem como as demais epístolas dos outros autores como o livro de Apocalipse, em que João também se identifica.

A epístola de Judas, as epístolas de João com exceção da primeira, as epístolas de Pedro e Tiago, todas tinham igualmente saudações iniciais e finais. A epístola aos Hebreus não contém esta introdução tão comum no Novo Testamento. Contém a saudação final, depois de um “amém” (Heb. 13:21), que supõe-se tratar-se de um acréscimo, neste caso o livro não se encerraria com o perfil de uma carta. Sem saudações iniciais e sem saudações finais, creio tratar-se realmente de um sermão.

Dentro desta ótica, é um sermão, onde o autor, demonstra com inúmeras citações bíblicas, a superioridade de Cristo sobre os anjos (Cap. 1-2), sobre os homens e sobre as instituições do Antigo Pacto, (Cap. 3-10) para chegar as exortações e manter firmemente a confissão de fé sem vacilar e sem voltar-se atrás, mas também recordando o zelo dos neófitos (Cap. 10:19-39). Depois desta parte doutrinal temos o capítulo 11 com os exemplos de fé do Antigo Testamento, e exortações (Cap. 12:1-13) a perseverar na luta cristã sem atemorizar-se.

A Epístola termina com a exortação a conservar as virtudes cristãs inclusive à custa de sofrimentos (Cap. 12:14-29; 13:1-17).

  

Augusto Bello de Souza Filho

Bel. em Teologia

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