NOSSO DESERTO

 

Sabemos que o Senhor coloca em nosso coração muitos sonhos. São grandes as promessas do Senhor e o sentimento mais comum a este respeito é o de que tudo se realizará de forma muito tranqüila, sem dificuldades. Mas rapidamente começamos a perceber que nem tudo está se realizando da forma esperada. Logo percebemos que estamos atravessando um deserto. Deserto na vida profissional – “Cadê, Senhor, a porta que o Senhor disse que estava aberta?”; deserto ministerial – “Senhor, é para o teu louvor! Porque meu ministério não cresce?”; deserto familiar – “Senhor, na tua palavra diz ‘crê no Senhor teu Deus e será salvo, tu e a tua casa’, mas porque meu esposo (a) não se converte?”  

Temos muito a aprender com as Santas Escrituras sobre os desertos de nossas vidas:

1) É o Senhor mesmo que nos leva ao deserto e assim o faz para que seu nome seja glorificado.

Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, para o deserto” (Lc 4.1).

Às vezes é difícil encarar esta verdade porque gostamos de pensar que Deus nos guia apenas a pastos verdejantes. Mas o Senhor quer que seu nome seja glorificado em nossas vidas e por isso nos leva ao deserto. Tudo foi criado para o louvor da Sua glória. Inclusive nós. Com certeza, quanto maior e mais terrível for o nosso deserto, maior será o milagre que o Senhor realizará em nossas vidas e assim maior será a glória dada a Seu nome.

O Pr. Tommy Tenney, em um de seus livros, nos ensina que quando as dificuldades chegam na esfera do milagre, quando todas as nossas opções de solução se esgotam, aí é que Deus atua, porque todos verão que foi Ele mesmo que agiu milagrosamente.

Podemos comparar nosso deserto, nosso período de dificuldade e espera do mover de Deus, com um escuro “túnel-labirinto”. Mantemos sempre nossos olhos na lanterna que carregamos nas mãos, por ser ela, aparentemente, a única solução em meio àquela escuridão. Nossa esperança é que, com a luz da nossa lanterna, de repente, enxergaremos a nossa saída. E, desta forma, percorremos boa parte do percurso. Até oramos para que o Senhor use a nossa lanterna nos mostrando a saída do túnel, mas de vez em quando falamos: “espera aí, Senhor, deixa eu ver se esta direção não é a solução... deixa eu tentar sair por este caminho...”. E assim tentamos ajudar o Senhor a fazer o milagre. Mas, apenas quando nossa lanterna se apaga, porque a bateria acabou ou porque decidimos não esperar mais que ela nos ajude, é que podemos perceber que realmente existe a luz do Senhor conosco e só ela é que pode ser nossa esperança, pois não se apagará.

Tu , Senhor, és a minha lâmpada; o Senhor derrama luz nas minhas trevas.” (II Sm 22:29)

O Senhor é quem pode nos levar à verdadeira saída do túnel. Todos dirão: “como você conseguiu sair deste ‘túnel-labirinto’? Nem lanterna você tinha mais? Isso é impossível!”. Você responderá: “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (Mc 10:27). O Senhor quer realizar o impossível em nossas vidas.

Será que Deus abriria o Mar Vermelho se seu povo não estivesse entre o mar e o exército de Faraó? Só havia um milagre a se esperar para a salvação do povo de Deus; era a abertura do mar, algo humanamente impossível. Mas o Senhor queria usar esta esfera de milagre para que o Seu nome fosse glorificado. Interessante notar que o Senhor mesmo é que os tinha colocado naquele “aperto”:

 “Disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel que retrocedam e se acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele vos acampareis junto ao mar. Então, Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou. Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o Senhor”  (Ex 14.1-4).

Se você está em algum deserto, e não vê saída, veja o que Moisés disse ao povo nesta situação que aos nossos olhos seria terrível:

“Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver  (Ex 14.13).

Aleluia! Podemos dizer: “Nunca mais tornarei a passar por esta mesma dificuldade! Isto tudo que estou passando é para que o nome do Senhor seja glorificado! As muralhas em minha frente surgiram apenas para eu mostrar que com o meu Deus, eu salto muralhas! ALELUIA!”

2) No deserto, o Senhor quer nos ensinar que Ele é quem cuida de nós.

Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem. Nunca envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos”  (Dt 8.3-4).

O Senhor não nos prova além de nossas forças. Antes, juntamente com a prova, Ele nos dá também o escape. Israel ficou 40 anos no deserto sendo sustentado com o maná. Não são 40 dias, são 40 anos no deserto onde o Senhor mostrou sua fidelidade. Ele prometeu a terra que manava leite e mel e apesar da infidelidade do povo, o Senhor cumpriu sua palavra. Todos os dias o Senhor mostrava seu poder e sua fidelidade quando fazia cair do céu o alimento para seiscentos mil homens, sem contar mulheres e crianças (Êx. 12:37). Deus sabia que aquela multidão morreria se Ele não desse o escape, o maná - porque aquela prova seria maior do que as forças humanas. O nome do Senhor foi engrandecido entre todas as nações porque viram que o Deus de Israel era tremendo em poder e manteve viva toda aquela multidão, durante 40 anos no deserto.

Na vida de Jesus também há um escape durante os 40 dias no deserto. Acredito que ninguém conseguiria ficar 40 dias sem comer, muito menos num deserto. Acredito que qualquer ser humano morreria. Mas para não restar dúvidas de que o Senhor Deus é que sustentou Jesus no deserto, diz a Bíblia:

 “...durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome(Lc 4.2b).

Jesus passou 40 dias no deserto sem comer, mas também, sem sentir fome. Isto não é maravilhoso?! Jesus sentiria fome assim como nós estamos sujeitos à fome. Mas o Senhor não o deixou ter fome, porque Ele sabe que o corpo humano não agüentaria 40 dias em um deserto sem comida. O escape do Senhor na vida de Jesus foi a saciedade apesar de não ter se alimentado.

3) O Senhor nos leva ao deserto para nos conhecer.

“Eu te conheci no deserto, em terra muito seca”  (Os 13:5).

Sabemos que ser filhos de Deus é maravilhoso. Abrimos nossos lábios em louvor dizendo que pertencemos ao Senhor, que queremos estar com Ele eternamente. Mas quão difícil é ‘em tudo dar graças’. Quando estamos confortáveis é fácil, mas quando o choro quer durar mais que a noite, quer durar o dia inteiro - é que nossa fé é provada. É fácil louvar quando temos as bênçãos do Senhor. E quando não as temos? Imagino que Senhor nos olha dos céus em meio ao deserto e diz: “será que este filho (a) está me buscando pelo que sou ou pelo que posso oferecer?”.

“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não”  (Dt 8.2).

4) O Senhor nos leva ao deserto para O conhecermos.

“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração (...) desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor” (Os 2.14;20).

 

Este trecho confirma que é o Senhor quem nos leva ao deserto. Mas também nos diz que Ele faz isso para falar ao nosso coração e como resultado, nós O conheceremos. No deserto entendemos que as palavras do Senhor são nosso alimento. O salmista sabia disso:

“O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica” (Sl 119.50).

“Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca” ( Sl 119.103).

É através das palavras do Senhor ao nosso coração que O conhecemos. O verbo conhecer na Bíblia, muitas vezes, se refere à intimidade. Quando lemos que um homem conheceu a uma mulher, quer dizer que entrou em intimidade com ela. “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu...“ (Gn 4.1), ou seja, Adão entrou em intimidade com Eva. Em Oséias 1.20 o Senhor diz: “desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor”. O Senhor está a nos dizer que teremos intimidade com Ele. Quando estamos em lutas, todo e qualquer comando do Senhor é de importância vital para nós. Ficamos mais sensíveis à voz do Espírito Santo porque temos a certeza de que só Ele pode nos conduzir aos pastos verdejantes ou à terra que mana leite e mel. Anulamos toda e qualquer interferência que prejudique o entendimento da mensagem do Senhor. Desta forma, no deserto passamos a dar prioridade à voz do Senhor e em conseqüência conhecemos ao Senhor, temos intimidade com Ele. Isto acontece através da leitura da palavra e dos joelhos dobrados, mostrando total rendição ao amado Senhor.

Só após o deserto poderemos dizer como Jó: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem(Jó 42.5); ou como o salmista: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos(Sl 119.71).

Quando nos encontramos em intimidade com o Senhor passamos a dar graças por tudo e compreendemos que TUDO, realmente TUDO, até mesmo o deserto, coopera para o nosso bem; para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28).

5) O Senhor quer nos ensinar que Ele nunca nos abandonará.

“...onde permaneceu 40 dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam(Mc 1.13).

Por mais árduo que pareça o nosso deserto, e apesar de ninguém querer caminhar mais uma milha conosco, o Senhor realmente não nos abandona. É no meio das provas que conhecemos a graça do Senhor. Muitas vezes o Senhor fica em silêncio diante de nosso clamor. Não entendemos, mas o que o Senhor quer é que percebamos, por nós mesmos, que a graça dEle nos basta. Paulo orou três vezes — não foi uma vez, mas 3 vezes — pedindo ao Senhor que tirasse aquele espinho de sua carne. Um homem que operava tantos milagres pelo poder do Espírito Santo, de repente, apresenta sua dor ao Pai. Mas o Senhor não o responde imediatamente. Só após a terceira oração ele recebe a resposta de Deus: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza(II Co 12:9).

Concluindo esta reflexão, encorajo a todos que esperam o realizar de sonhos e promessas de Deus, para que não desanimem no deserto pelo qual estejam passando. Aparentemente nada está acontecendo, mas aquele que começou a boa obra é fiel para completá-la. Somos chamados para vivermos por fé, não pelo que nossos olhos vêem. Elias orou e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra. Depois de ter enfrentado os profetas de Baal, ele fala a Acabe: “Sobe, come e bebe, porque já se ouve o ruído de abundante chuva.” Pela fé, meu irmão, ouça o ruído de abundante chuva em seu deserto! Não importa se o seu deserto é seu ministério, sua família, ou sua vida profissional. Você já pode ouvir o ruído da chuva do Senhor!

Elias subiu ao monte Carmelo para orar e levou consigo o moço que o assistia. Se prostrou em terra e mandou o moço subir mais adiante e olhar para o lado do mar para conferir, com os olhos humanos, não com os da fé, se já vinha a chuva. Nada via o rapaz, até a sétima vez que foi olhar. O moço voltou a Elias e disse que se levantava do mar uma pequena nuvem como a palma da mão de um homem. Elias responde ao menino: “Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha”. Diz a Bíblia que “dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva”. ALELUIA! Apesar de nossos olhos só verem uma pequena nuvem, não vai demorar muito, dentro em breve o Senhor fará cair grande chuva! Não são chuviscos, é uma abundante chuva que o Senhor tem para derramar em nosso deserto!

Em I Reis 18.45-46 lemos que “Acabe subiu ao carro e foi para Jezreel. A mão do Senhor veio sobre Elias, o qual cingiu os lombos e correu adiante de Acabe, até à entrada de Jezreel”. ALELUIA! Você tem a mão do Senhor sobre você! Quem conhece a história contada nesta passagem das Escrituras sabe que Acabe era um rei que fazia o que era mau perante o Senhor. Se tivesse chegado primeiro à cidade, Acabe poderia tentar impedir a entrada de Elias. Mas a mão do Senhor fez Elias chegar antes de Acabe, apesar de estar sem carro e ter saído depois dele. Glória ao Senhor! Agindo Deus, quem impedirá?

Somos objeto do cuidado especial do Senhor. Os sonhos que o Senhor colocou em nosso coração, antes de serem nossos, são dEle! Não adianta o inimigo tentar nos impedir de fazer alguma coisa, ou tentar impedir a realização dos planos de Deus em nossas vidas. Podemos fazer como Elias: zombar de nossos inimigos (I Rs 18.27). Toda e qualquer dificuldade em nosso caminho é apenas para fazer maior o nome do nosso Deus. Nenhum dos planos do Senhor serão frustrados.

 “Ele envia as suas ordens à terra e a sua palavra corre velozmente( Sl 147.15).

 

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor, porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. (...) e será isto glória para o Senhor e memorial eterno que jamais será extinto”  (Is 55.8-13).

                                                                                                                     

Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?  (Lc 18.7-8 ). 

“...o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade...”  (Na 1.3).

“...fá-lo-ei aproximar, e ele se chegará a mim; pois quem de si mesmo ousaria se aproximar de mim, diz o Senhor”  (Jr 30.21b).

Que o Senhor nos abençoe,

 

Fabiane Rocha Bello

Igreja Batista Adonai – Salvador, BA

fabibello@yahoo.com.br

 

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