OS MÉTODOS, O CARÁTER E AS HABILIDADES DO APÓSTOLO PAULO

 

Paulo foi um missionário sábio e dedicado, escolhido por Deus para um ministério específico (Atos 9:15). A sua vida tem sido exemplo para a igreja no cumprimento da grande comissão ainda hoje. Ele é visto por muitos como o maior missionário de todos os tempos. Usava sempre áreas que poderiam ser alcançadas a partir de centros estratégicos. Fazia discípulos e os encaminhava para novas frentes missionárias em regiões e cidades distantes.  Como se verificou em Colossos quando enviou Epafras que fundou a igreja naquele local.

Ao fundar uma Igreja, o apóstolo Paulo, a organizava com presbíteros e diáconos, com a finalidade de dar prosseguimento à obra após a sua partida. Ele procurava sempre se colocar sobre fundamentos sólidos. Quando se deslocava para um determinado lugar para pregar somente o fazia com plena convicção de que era a vontade de Deus. Muitas vezes deixou de se dirigir a determinadas localidades para evitar construir sobre fundamento alheio, uma vez que Jesus já havia sido anunciado por outros pregadores (Rom. 15:20). Paulo era muito consciente. Sua dependência do Espírito Santo se evidenciou claramente tanto nos textos de Atos dos Apóstolos, como em suas próprias Epístolas (Atos 13:2-4; 16:6-7). Paulo sempre voltava às igrejas por ele organizadas para encorajá-las e fortalecê-las (Atos 15:36). Ensinava que a igreja devia estar constantemente propagando o Evangelho.

Os métodos utilizados pelo Apóstolo Paulo fazia com que alcançasse êxito em seu ministério. Paulo usava sabiamente diversos artifícios para ganhas vidas para Cristo (I Cor. 9:19-23). Usava os grandes centros, preparava líderes, pesquisava a situação de cada local, se identificava com as pessoas, pregava de casa em casa, se auto-sustentava e era flexível no trato com os problemas (Atos 20:17-21; 33-34). Um fato muito marcante no caráter de Paulo é que ao conhecer determinada cultura ele se utilizava astutamente para falar as pessoas que ele evangelizava, como foi no caso do Aerópago de Atenas. Paulo sabia que os Atenienses eram supersticiosos e destacou esta particularidade, para dar a introdução de sua mensagem, se utilizando inclusive do próprio título de um santuário grego “...ao Deus desconhecido” (Atos 17:22-23). Muitas vezes se utilizou do argumento de ser Cidadão Romano para se defender diante de seus perseguidores (Atos 22:25-29).  Ao ser preso em Jerusalém sob a acusação de profanar o Templo, Paulo passando pelo tribuno perguntou-lhe se era permitido dizer-lhe alguma coisa, o que causou espanto no tribuno que não esperava que ele soubesse grego. Paulo conhecia profundamente o grego. Logo em seguida, ele pediu para falar ao povo e falou em hebraico (Atos 21:37-40).   Se utilizava de uma retórica muito bem embasada nos conhecimentos do Antigo Testamento, como profundo conhecedor da Lei que era (Atos 17:2, 17-19; 19:8-10; 23:6).

Paulo não se contentava tão somente em pregar, mas também lutava pela pureza da doutrina cristã que ele chamou de sã doutrina. Ele orientava exortava e doutrinava as igrejas à luz dos ensinos de Jesus, a viverem vida de santidade (Atos 14:22-23; 20:31-36; II Cor. 11:2). Paulo enfrentou também o gnosticismo incipiente que permeava as igrejas. Em Colossos ele enfrentou a tendência racionalista, que levava a igreja à heresia. Estava de continuo se comunicando as igrejas através de correspondências com o propósito de corrigir as suas falhas e imperfeições.

Teologicamente, Paulo interpretou de maneira singular o significado da vida, morte e ressurreição de Cristo. Ele pregou uma fé livre da introdução do legalismo e do racionalismo. O autor Roland Allen, em seu livro “Métodos Missionários: os de Paulo ou os Nossos?, resumiu muito bem a obra de Paulo: “Em pouco menos de dez anos, Paulo estabeleceu a igreja em quatro províncias do Império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 47 d.C, não havia igrejas nessas províncias. Em 57 d.C., Paulo já se reportava a sua obra nestes locais como se já estivesse totalmente concluída. É importante notar que estas igrejas foram fundadas com rapidez e segurança, mesmo diante das dificuldades, incertezas e fracassos do primeiro século (II Cor. 11:24-28). Muitos missionários realizaram obras fantásticas para o reino de Deus. Contudo, o apóstolo Paulo foi o único que além de estabelecer igrejas em suas diversas viagens missionárias, tinha também o cuidado de visitá-las para ver como estavam. Ele também se comunicava com estas igrejas e com os seus filhos na fé, como Tito, Timóteo e Filemon, exortando-os a zelar pela sã doutrina do Evangelho de Cristo (Gál. 4:19). 

 

Augusto Bello de Souza Filho

Bacharel em Teologia

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