Pastores à moda antiga


Infelizmente, pastores não são mais acolhidos como pessoas, por sua vida cristã, integridade, seriedade e compromisso com a Palavra, oração e cuidado com o rebanho, mas pela sua “performance” diante das metas colocadas pela empresa-igreja, sedenta de realizações e sucesso, que muitas vezes escondem as projeções das frustrações e dramas pessoais de tantos que a compõem. Paga-se para que alguns vivam o que membros comuns não conseguem viver e fazer na obra, no dia a dia de suas vidas.

Autor
Nelson Bomilcar

É pastor, compositor e músico, e tem trabalhado na adoração e música cristã nos últimos 30 anos, ministrando e pastoreando músicos, tendo produzido inúmeros cantores e grupos no Brasil. Participou de Vencedores, Semente, IBMorumbi. É membro da Associação de Músicos Cristãos (AMC) do Brasil. 


Permitam-me uma pausa em meus artigos sobre música e adoração para uma outra reflexão.Fui chamado outro dia carinhosamente, ao telefone, pelo querido pastor Elben Cesar (diretor da revista Ultimato) como o pastor-músico-cantor. Fiquei tocado para falar um pouco do pastorado, e do que tenho aprendido e observado.

Um pano de fundo sombrio no meio de tanta confusão em nosso meio evangélico e “gospel”., e da desconfiança que o nome “pastor” traz em nossos dias (principalmente nos grandes centros), desgastado pela enxurrada de auto-entitulados “pastores”, “bispos” e apóstolos” cada vez mais jovens e inexperientes, aparentemente sem vocação ou chamado, que invadiram nossas igrejas e que contam com  a boa fé e ignorância das pessoas sofridas e sem esperança para a construção de seus projetos (reinos) egocêntricos e hedonistas. Junte-se a isso os inúmeros escândalos que trazem vergonha ao evangelho. Mesmo assim, vemos ainda o clamor explícito (ou escondido às vezes) das ovelhas,  clamor por pastores que amam, cuidam e dão suas vidas pelas ovelhas em nosso meio.

Os cursinhos de preparo e orientação profissional consideram hoje (e recomendam) a “profissão” de pastor (confundida com o que estuda teologia) como uma excelente opção para sobrevivência. Está desempregado? Está sem $? Ora, dizem os não cristãos, vire pastor no Brasil e abra a sua igrejinha (negócio), que dá retorno e às vezes um retorno e tanto. Viramos motivo de chacota dentro e fora do meio evangélico..

Por causa desta mentalidade distorcida, tantos pastores sérios (velhos e novos), que vivem humilde e comprometidamente servindo em igrejas locais em tantos cantos e rincões de nosso país e fora dele, dependendo do sustento da casa do Senhor, sofrem privações. Certamente não foram e não serão esquecidos pelo Senhor, fiel e presente em todas as circunstâncias e tribulações e que em tempo oportuno retribuirá justamente. Que Deus fortaleça a todos!

Minha mãe, ex-cantora profissional, crente batista e serva fiel já falecida, orava décadas atrás para que um dos filhos pudesse se dedicar ao ministério pastoral, pois considerava um chamado nobre, digno e honroso. Aliás, a bem da verdade, é mesmo, e o próprio Senhor o considera assim em Sua Palavra. Em seu leito de morte, minha mãe disse que esta resposta de oração em minha vida foi uma das grandes alegrias e sinal da fidelidade do Pai em sua vida.

No Nordeste, Centro-Oeste e em alguns cantos do Brasil onde tenho ido, constato ainda e com surpresa e alegria, o respeito à figura e vocação do pastor, pelo bom testemunho de pastores realmente vocacionados, sinceros e destemidos, que fundaram igrejas, trabalhos missionários e  obras assistenciais maravilhosas. Glória a Deus por isso!

Com 32 anos de conversão e 20 anos de ministério pastoral, além de outros 9 como missionário, com acertos e erros, recordo-me de meus mentores e referenciais de pastorado, homens extraordinários e comuns, mas sérios quanto à vocação, testemunho, trato e compromisso com a Palavra de Deus e com Sua igreja. Santos homens de Deus que me abençoaram e ajudaram em minha formação pastoral e transformação pessoal. São alento para mim e encorajamento.

Louvo a Deus pela vida de queridos pastores e professores como Juvenal Ricardo Méier, César Tomé, Russell Shedd, Carlos Lackler, Paul Andrey, Dionísio Pape, Nélson Lopes, Ary Velloso, Jim Kemp, Bill Asbury, Frederico Orr, Ismail Sperandio, Werner Kaschel, Davi Gomes, Edson Barbosa e tantos outros que me ajudaram a amar a Deus e Sua Palavra, pessoas que Deus tem chamado para Seu rebanho e que são estímulo constante para honrar sempre a vocação pastoral.

Alguns, em certos momentos de suas caminhadas, tornaram-se um pouco prisioneiros e reféns de suas rígidas e sufocantes estruturas denominacionais ou missionárias (causas diversas: afirmação pessoal, tradições, necessidade de sustento, etc...), porém lutaram e permaneceram fiéis à sua vocação. Por causa desta opção, alguns foram até expelidos pelas mesmas estruturas e igrejas que serviram. Outros saíram por decisão pessoal. Só Deus sabe quanto choro e sofrimento houve em suas famílias para honrarem sua vocação pastoral.

Com tristeza e empatia, ouvi de diversos pastores nos últimos anos, em vários cantos do Brasil, um compartilhar dolorido, contido, sofrido, e desesperançoso sobre suas vocações e ministérios recentes. Honraram-me confiando em conversas pessoais, seus dramas, suas lágrimas e dores na alma e coração, para que eu pudesse acolher e apascentar seus corações.

Alguns que reverberavam também as vozes (de espanto e desencanto) de suas esposas e filhos, que às vezes não têm voz, marcados definitivamente em seus corações, alguns até afastados do evangelho, vendo como seus maridos ou pais foram desrespeitados, tratados como peças e não como pessoas, e descartados pelas igrejas locais ou missões onde serviram.

Curiosamente, são igrejas locais e missões que abraçaram modelos empresariais secularizados, voltadas para metas patrimoniais e massificantes, buscando perfis de executivos, não nas qualificações bíblicas, mas pela sua capacidade de liderar e empreender, tolerar e obedecer aos que têm o poder e influência dentro destas estruturas.

Igualmente, algumas igrejas “chamadas” avivadas, com sua cultura espiritualizante e alienada, debaixo da teologia humana e demoníaca da falsa prosperidade (os que são “cabeça e não cauda”...), também tem dificultado e distorcido o exercício da vocação pastoral. Pessoas imaturas e sem preparo algum para ensinar a Palavra ou cuidar de vidas, tem sido conduzidas precipitada e irresponsavelmente ao “cargo” de pastor, pregando barbaridades, fórmulas de auto-ajuda                (determine aqui e ali...) e até mesmo uma estranha mensagem (pastores-gurus tipo Seicho-no-iê, ensinando que não existe dor, e que o sofrimento não deve fazer parte da vida cristã).

Graças a Deus por outros referenciais mais sadios sobre o pastorado. Reflexões e ensino sobre vocação e prática pastoral, que tem sido escritas pelo Rev. John Stott, ensinadas constantemente pelo pastor e professor Eugene Peterson e o Dr. James Houston, homens que têm me influenciado muito, juntamente com o pastor Ricardo Barbosa. Desde que estive no Canadá estudando, buscando transformação pessoal em meu coração e recuperar os referenciais de espiritualidade cristã e vocação pastoral não sou mais o mesmo. Vocês são oásis no meio dos desertos que às vezes se instalam em nossos ministérios.

Infelizmente, pastores não são mais acolhidos como pessoas, por sua vida cristã, integridade, seriedade e compromisso com a Palavra, oração e cuidado com o rebanho, mas pela rolex replica sale sua “performance” diante das metas colocadas pela empresa-igreja, sedenta de realizações e sucesso, que muitas vezes escondem as projeções das frustrações e dramas pessoais de tantos que a compõem. Paga-se para que alguns vivam o que membros comuns não conseguem viver e fazer na obra, no dia a dia de suas vidas.

Muitas igrejas-empresa, reconheço, tem boas e sinceras intenções em seu desejo de servir, mas que sinceramente se equivocam em caminhos e modelos escolhidos, tentando cumprir a razão de sua própria natureza missionária e comunitária de ser sal e luz do mundo.

Aqueles pastores, aos quais me referi no início do artigo, ouviram esta frase, de forma jocosa ou com desdém, com pequenas variações: “__ vocês são pastores “à moda antiga”, a realidade das igrejas é outra e vocês não cabem mais dentro dela diante das expectativas de crescimento e sucesso do projeto, tanto do povo como das lideranças locais.”

Não sou ingênuo, caro leitor. Claro que os pastores precisam ter consciência da realidade hoje, tanto do mundo em que vivemos, como da realidade das igrejas e do povo que faz parte dela. Claro que é necessário administrar (é um dom também) o crescimento e a obra, mas é necessário avaliar se é o crescimento ou obra que Deus espera e a Sua Palavra avaliza.

A grande verdade é que, de fato, quem administra a obra de Deus é o próprio Deus Triúno, nem sempre de forma “profissional” (nos moldes de hoje), mas sempre responsável; de forma “amadora” às vezes - isto é, singela e simples - mas com o mover claro de Seu poder. É o que nos ensina a história da Igreja. Não vamos nunca dominar o crescimento da obra ou Aquele que a tudo domina e dá o crescimento.

Pastores honestamente precisam reconhecer suas limitações e também refletir sobre novos paradigmas, adaptando-se para continuarem a exercer sua vocação! Sábios, prudentes, servos, atentos às tentações do ministério, da secularização e pós-modernidade, e buscarem a coragem de viver e levar as ovelhas para uma vida cristã e comunitária autêntica, de comunhão profunda com o Pai, além do clero-templo-domingo, por exemplo.

Novos paradigmas sim, nova mentalidade no jeito de ser, mas não abandonando os princípios da vocação, a essência do ser, do ser pastor, de cuidar de almas, de ajudar as pessoas a andarem e conhecerem a Deus, de levarem os crentes à maturidade em Cristo e abandono de uma vida de pecado, do replica watches cultivo de uma vida de adoração, santidade, testemunho e serviço, dedicando-se à oração, meditação, estudo e pregação correta da Palavra de Deus.

Cumprir a vocação Daquele que é fiel e que nos chamou e não ficar tentando atender às expectativas do povo e de suas corporações religiosas quando elas colidem com o que a Palavra de Deus nos revela. Há um preço a pagar, preço nunca escondido por Jesus, Nosso Senhor e Salvador, em Seu chamado ao discipulado e aos que têm a vocação e dom pastoral.

Há muitos até que optaram em exercer sua vocação pastoral não estando oficialmente no “clero” ou em cargos eclesiásticos; fazem-no pela marginal, atuando de forma silenciosa e discreta, fazendo tendas para sustento pessoal, porém, na realidade, estão mais presentes e próximos das ovelhas do rebanho. Pessoas que amam a igreja, Corpo Vivo de Jesus, comunidade de pedras vivas, de pessoas transformadas pelo amor e graça de Deus. E também, o “cuidar uns dos outros”é responsabilidade e privilégio de todos.

Quero apenas deixar registrado minha gratidão àqueles mentores pastores, que me ajudaram a conhecer a Cristo e aprender os caminhos do coração para cumprir a vocação pastoral. Pessoas que ainda recorro em dias de desânimo e lutas. Muitos deles seriam chamados de “pastores à moda antiga”, o que para mim é reconhecimento e virtude, pois tem resistido às tentações e clamores de nossa época no meio evangélico do sucesso a qualquer custo e da sutileza enganosa de “sermos relevantes”. Pastores com doçura e singeleza de coração, que não negociam a Palavra e que amam a Deus e as ovelhas dando suas vidas por elas!

Obrigado por existirem! Paz, força e consolo seja com vocês e suas famílias! Creio que o Senhor tem um recompensa maravilhosa preparada para todos vocês. Louvado seja Nosso Supremo Pastor!

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